Cidade de Ladrões - David Benioff

Quem imaginaria que uma história começando com dois meninos sendo enviados no meio da guerra à busca de ovos poderia ser uma história interessante? Quando lemos a sinopse do livro Cidade de Ladrões, ficamos na dúvida se vale realmente ler e ficamos em dúvida sobre as avaliações que conhecidos nossos podem já ter dado a obra.

Assim que começa a história, conseguimos entrar realmente no clima que as pessoas deveriam viver na União Soviética. Com um país congelando, recursos escassos, vivendo em guerra e sem saber qual será o seu amanhã por causa das invasões nazistas.

Lev Beniov é um adolescente com pouca experiência de vida, a parte mais fraca da história, com medo de tudo o que pode acontecer, sendo cauteloso e analisando bem as situações. Já Kolya fica com a parte da ação, dando um pouco de animação; mesmo com toda a desgraça presente na trama, ele sempre consegue encontrar alguma coisa para fazer piada, trazer um pouco de ânimo e esperança a todo o horror que precisam conviver.

A partir do momento que os dois saem em busca dos ovos, nos deparamos com um país devastado, onde as pessoas fazem de tudo para conseguir comida, chegando ao ponto de fazerem biscoitos de livros ou até coisas piores. Cidade de Ladrões nos mostra como que uma  guerra pode tirar toda a dignidade de uma população, fazendo com que toda a nossa ética desapareça pelo simples desejo de sobreviver.

O lado bon vivant de Kolya é o que faz com que a trama não seja tão pesada como realmente deveria ser. Afinal, esse personagem é muito esperto, sabendo como tirar vantagens das situações e lógico que encontrar um amor rápido para afagar um pouco o desespero de todo o terror que precisa ver.

É impressionante as táticas de guerra, as crueldades e estratégias que nos são apresentadas no decorrer do livro, chegando a momentos em que ficamos assustados em como o ser humano pode realmente chegar ao ponto mencionado.

Cidade de Ladrões é um dos melhores livros com a temática de 2ª Guerra Mundial, não por demonstrar judeus, centros de concentração ou qualquer outra barbaridade que estamos acostumados a ver nas histórias que lemos. Esse livro é bom devido ao fato de conseguir pegar um fato inusitado, em um momento inapropriado e conseguir demonstrar diversos outros lados que antes não imaginávamos ou não tínhamos parado para pensar.

Talvez o fato de David ser roteirista, além de escritor, tenha tornado a narrativa tão agradável. Não vemos o tempo passando enquanto estamos lendo e as cenas passam em nossa mente sem ruídos, tudo é bem explicado e claro para nossa compreensão, tornando uma história que já é bem escrita em um evento muito agradável, ou quase, por causa da temática.

É muito interessante ver o amadurecimento dos nossos personagens, acabamos os conhecendo tão bem que nos envolvemos em seus sentimentos, nos emocionando quando as coisas não dão certo e sentindo um alívio pleno quando tudo ocorre bem, o que não é tão fácil. É como se Kolya e Lev virassem nossos amigos.

Recomendo o livro para pessoas que desejam uma literatura mais densa e que seja profunda, fazendo com que analisemos alguns de nossos pensamentos, atitudes e o valor de coisas simples do dia-a-dia.



1 comentários:

  1. Esse foi um dos melhores livros que li ano retrasado. Entrou na minha lista de preferidos.

    Acho genial a história de Kolya e seu recorde de dias sem fazer cocô. E emocionante o dia em que ele finalmente o faz...rsrsrsrsr

    Muito boa resenha!!!!

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