A Guerra de Trono: Crônicas de Gelo e Fogo, livro 1 - George R. R. Martin
As Crônicas de Gelo e Fogo provavelmente é, hoje em dia, a franquia literária que mais gera lucro, tanto que o primeiro volume, Guerra de Tronos, mesmo após 3 anos de seu lançamento, continua estando no top 20 de vendas semanais, poucas vezes saindo dessa lista, fato que provavelmente deve ter acontecido pela movimentação que a história gerou com a série que foi produzida pela HBO.

Esse livro acabou ficando muito tempo encostado na estante por ter muitas páginas, a letra ser pequena e eu sempre precisar ler um livro por semana para resenhar. Quando finalmente consegui acumular algumas resenhas, não tive dúvidas e peguei ele para ler, me arrependendo amargamente de não ter colocado a minhas mãos antes nessa história tão rica que o Martin proporciona para os seus leitores.

Toda a história se passa no reino de Westeros e fica complicado falar de todas as casas, porque cada uma possui características específicas, além de histórias complexas que poderiam render páginas e páginas de resenha.

Aliás, toda a obra de Martin é muito complexa, possuindo diversos personagens, ambientes e histórias diferentes, o que no começo pode ser um pouco complicado, na hora de decorar quem são os personagens e da onde exatamente eles estão falando. Não aconselho que você tente ficar decorando o que cada um faz na história, conforme o tempo vai passando, você acaba decorando quem é quem, se identificando com alguns e odiando profundamente outros.

Os personagens presentes em Guerra de Tronos são extremamente humanos, não é apenas uma tentativa de demonstrar uma pessoa cheia de clichês como vemos em diversos livros por aí. Todos os personagens possuem as suas identidades principais, mas suas atitudes e os seus comportamentos são modificados conforme o mundo modifica ao seu redor, dependendo da oportunidade, o que faz com que ele se tornem mais reais aos nossos olhos, ao ponto de termos quase que sentimentos por todos eles.

Quando eu digo que quase temos sentimentos, é completamente equivocado. Em diversos momentos temos raiva de um personagem, enquanto em outros o amamos, ficamos nessas reviravoltas de afeição ou repugnância constante, mas que muda dependendo do que acontece na história, modificando para pena, compreensão e diversos outros modos de sentimentos possíveis.

Como é complicado falar de todos os personagens, fica difícil analisar profundamente a participação de cada um deles na história, mas os mais importantes, pelo menos na minha concepção de leituras, não devem ser esquecidos, então se alguém já leu o livro e acha que esqueci de algum, não é de propósito, mas precisamos falar dos que mais marcam.

Tyrion Lannister é um personagens que impressiona pela sua capacidade de conseguir sempre o que deseja de algum modo, apesar dele ser anão e isso fazer dele uma pessoa completamente insignificante para o reino e o seu pai (senhor do Rochedo Casterly) não dar importância para ele por causa desse problema, ele sempre arruma um modo de manipular alguma situação ruim para que ela se reverta em algo vantajoso. No começo chegamos a pensar que ele possa a ser uma má pessoa, mas ele se mostra um dos personagens mais perspicaz da trama.

Khal Drogo no começo do livro e na maior parte do livro, poderia ser considerado um ser insignificante que não modifica muita coisa na história, mas o simples fato de sua esposa, Daenerys Tagaryen, conseguir fazer com que ele deixasse o seu lado bruto um pouco de lado e aprendesse a amar, ser mais compreensivo e ter uma vida mais prazerosa, demonstra um amor puro difícil de ser descrito. Mas isso depois de ele aprender a amar e se tornar mais civilizado.

Já que Daenerys foi mencionada, ela deve ser uma das personagens mais adorada por todos, ela cresce muito na história, no começo sendo uma menina assustado com seu sangue de dragão praticamente congelado, o qual vai se aquecendo conforme a história avança e a transforma em uma mulher de fibra que, aparentemente, promete ter uma importância muito mais no segundo volume.

Arya Stark, a família mais adorada de Crônicas de Gelo e Fogo, foi a personagem da família que mais chamou minha atenção pelo fato de ela viver lutando contra os preconceitos da sociedade, querendo ser uma guerreira, aprender a empunhar uma espada, não querer ficar sentada tricotando o dia todo e ter sua própria dependência, tudo isso sendo apenas uma criança com personalidade forte e determinada para seguir seus passos.

Bem, melhor deixar de lado um pouco os personagens, já deu para vocês perceberem que se for falar de todos escreverei um livro e ninguém terá paciência para linhas intermináveis contando sobre todos os presentes na trama, afinal, é interessante descobrir eles conforme a história vai passando.

Os cenários são bem variados, já que as histórias se passam por todas as extensões do reino. Enquanto em alguns momentos estamos em lugares congelantes, que dá medo de ficar congelado caso fique parado por muito tempo, em outros lugares aparenta ter um clima ameno, a ponto de poderem usar roupas mais confortáveis e que não são muito pesadas.

A narrativa é completamente envolvente, a linguagem é simples, não enrola para contar e não faz uso de uma linguagem poética exagerada, o que pode ser um dos motivos de algumas pessoas não gostarem de histórias épicas e acabarem se apaixonando tanto pelas Crônicas de Gelo e Fogo. Martin constrói as suas narrativas em cima das falas dos personagens, explicando o que está acontecendo sem se prolongar no que considera desnecessário e indo direto ao ponto. Pouquíssimas vezes você passará por páginas que considere monótonas.

O fato de a trama ter diversos personagens, não faz com que o livro seja confuso, Martin consegue conciliar bem todas as histórias em sua mente, sem se confundir, conseguindo dar continuidade e sabendo exatamente em que ponto deve se deslocar para outra parte do reino, de modo que não temos tempo para ficar enjoados de algum lugar, personagem ou drama que está acontecendo no local.

Algumas partes impressionam com a riqueza de detalhes que nos fazem sentir cheiros, frio, calor e até mesmo textura de coisas que acontecem na história, mas toda esse detalhamento dos acontecimentos acontece de modo agradável à leitura e sem transformar o conteúdo massante.

Nem todas as histórias chegaram a se cruzar nesse primeiro volume, mas os acontecimentos nos demonstram que algumas em pouco tempo estarão frente a frente, gerando outros conflitos, problemas, dramas, acontecimentos e reviravoltas nesse mundo em que o inverno está para chegar.

No final das 500 e poucas páginas, o nosso queixo fica caído, a vontade é de sair correndo para a estante e pegar logo o segundo volume.

Recomendo o livro para todas as pessoas sem distinção, não apenas porque eu considerei o livro muito bom, mas porque acredito que seja fácil o leitor se identificar com pelo menos um personagem nessa imensidão demonstrada nas Crônicas de Gelo e Fogo.


1 comentários:

  1. Estou louca para ler esse livro! Todas as resenhas que vejo me animam bastante e todos dizem que a série é incrível.

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